
Lançamentos avançam mais de 50%, mercado econômico responde por 70% das vendas e setor projeta novo ano recorde
O mercado imobiliário da Grande Fortaleza voltou a acelerar em 2026 e registra números históricos nos cinco primeiros meses do ano. Entre janeiro e maio, o Valor Geral de Vendas (VGV) alcançou R$ 3,96 bilhões, crescimento de 45% em relação ao mesmo período de 2025. No intervalo, foram comercializadas 7.217 unidades residenciais, consolidando um dos melhores desempenhos da última década.
Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (24), pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), em levantamento realizado pela Brain Inteligência Estratégica, com patrocínio do Serviço Social da Indústria (Sesi). A pesquisa analisou 428 empreendimentos de Fortaleza, Aquiraz, Caucaia, Eusébio e Maracanaú.
O principal combustível desse crescimento foi o aumento dos lançamentos. Na Região Metropolitana, o número de empreendimentos lançados saltou 53%, passando de 19 para 29 projetos. Em Fortaleza, foram 18 novos empreendimentos, alta de 13% sobre igual período do ano passado. Quando analisadas as unidades colocadas à venda, o avanço foi ainda mais expressivo: crescimento de 41% na Capital e de 63% na Região Metropolitana.
Outro destaque foi o VGV dos lançamentos, que atingiu R$ 2,6 bilhões, aumento de 58% em comparação aos cinco primeiros meses de 2025.
Na Capital, os segmentos de médio e alto padrão responderam pela maior movimentação financeira do mercado. O VGV desses empreendimentos alcançou R$ 2,5 bilhões, alta de 72% na comparação anual. Já o segmento econômico, impulsionado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, movimentou R$ 566,2 milhões, crescimento de 9%.
Apesar do maior peso financeiro do médio e alto padrão, o mercado econômico continua sendo o principal responsável pelo volume de negócios. Segundo a segunda vice-presidente do Creci Ceará, Adriana Neves, o segmento responde atualmente por cerca de 70% das vendas.
"Hoje o mercado imobiliário de Fortaleza pode ser comparado ao de Curitiba, mesmo sendo uma cidade com renda muito diferente. Isso mostra a força que o Ceará conquistou. O segmento econômico representa hoje cerca de 70% das vendas. É ele que faz a roda girar. O alto padrão gera um VGV elevado e chama atenção pelos números, mas quem movimenta o mercado em volume é o produto econômico", afirma.
Para o presidente do Sinduscon-CE, Patriolino Ribeiro, os resultados surpreendem até mesmo o setor, especialmente diante do cenário de juros elevados.
"Em 2025 tivemos o melhor ano da década e, quando começamos 2026, não imaginávamos um crescimento tão forte. Fechando maio, temos 53% a mais em lançamentos e 42% a mais em vendas. É um ano extremamente robusto. O segmento econômico continua muito forte graças ao financiamento com juros subsidiados e aos benefícios do governo federal, além da enorme demanda de quem sonha com a casa própria. O alto padrão também segue aquecido, enquanto a classe média ainda depende da redução dos juros para voltar a comprar com mais intensidade."
Patriolino acredita que, mantido o ritmo atual, o primeiro semestre deverá encerrar com crescimento próximo de 40% nas vendas sobre 2025."Será mais um ano de recordes. Nossa expectativa é fechar o semestre com aproximadamente R$ 4,8 bilhões em VGV na Grande Fortaleza, muito próximo da marca de R$ 5 bilhões."
Outro dado que chamou atenção foi a estabilidade do mercado. Mesmo com a taxa Selic em patamar elevado, o volume de vendas permaneceu praticamente no mesmo nível recorde registrado nos últimos 12 meses.
Segundo o diretor de Estatística do Sinduscon-CE, Sérgio Macedo, esse comportamento nunca havia sido observado na série histórica do levantamento.
"Nunca vi um ano com tanta estabilidade. A grande surpresa é justamente a estabilidade das vendas. Vendemos mais que lançamos. Nunca, na história dos nossos indicadores, tivemos um mercado conseguindo sustentar um volume tão elevado de comercializações por tanto tempo. Estamos falando de cerca de 11 mil unidades vendidas em 12 meses, praticamente repetindo o desempenho do ano anterior, mesmo convivendo com uma Selic elevada, que afeta principalmente a classe média."
Os indicadores reforçam a confiança das incorporadoras no mercado cearense e mostram que Fortaleza e a Região Metropolitana seguem entre os principais polos imobiliários do país, impulsionados pela força do segmento econômico, pela valorização do médio e alto padrão e pelo aumento consistente dos lançamentos. Com perspectivas de queda gradual dos juros, o setor acredita que há espaço para um crescimento ainda maior ao longo do segundo semestre.
Publicado por Mirelle Costa em 25 jun 2026